Praia

Noite, frio seco com ar de suor.
Quize para a uma da manhã.
Insônia, o som do mar que acalmaria qualquer ser terreno se torna ensurdecedor.
Estrelas que se escondem atrás de nuvens covardes que teimam em fugir do desconhecido.
O céu a terra, tudo parece igual.
Nascimentos e mortes, quantas almas passaram em meio ao suspiro desesperançoso de uma criança aos 9 anos que acaba de perder seu melhor amigo, um cão.
Um deitar e fechar dos olhos, a busca por paz.
A dor no peito que não pára e a saudade de algo, de onde vem?
Será um adeus que se aproxima?
Amores perdidos, histórias fogueiras, enfim retratos.
Juras de amor traçadas na areia, levadas com a maré.
Nomes, sobrenomes de pessoas que nem sabemos quem são seus pais.
Nações guerriando, sangue e grito.
Aqui está tudo sereno, calmo como o falar mudo de uma árvore solitária.
A brisa que bagunçam os cabelos como mãos daquela nossa mãe que nos deu a luz.
A mão que não se aquieta, as veias que pulsam...
Um gemido de dor, uma agitação.
Caminha em direção ao horizonte, sem medo.
Um, dois, dez passos. Pode sentir as ondas em seus joelhos, aqueles que tanto sofreram diante de pecados diários.
Vinte, vinte e cinco. O ventre coberto pelo mar que acolhe seus lábios frios e rígidos pela tristeza.
Pronto, é só deixar fluir...